Noite Passada em Soho

Mondo Bacana

Em mais uma mescla de gêneros, Edgar Wright mergulha na nostalgia do glamour da moda e da música da Swinging London dos anos 1960

Textos por Janaina Monteiro e Abonico Smith

Foto: Universal Pictures/Divulgação

O ser humano segue uma tendência natural em acreditar que tudo o que é bom já foi feito. Que o novo é a combinação de elementos já inventados nas décadas passadas, principalmente quando se trata de arte, de música. É impossível pensar na música pop feita hoje sem evocarmos, por exemplo, os anos 1960. Ou melhor, a Inglaterra dos anos 1960, berço de bandas e cantoras icônicas que nos fazem soltar aquela frase clichê: “queria ter nascido nessa época!”.Good old days!

EmNoite Passada em Soho(Last Night In Soho, Reino Unido, 2021 – Universal Pictures), o diretor britânico Edgar Wright traz para seuthrillerpsicológico toda a nostalgia sessentista através da protagonista…

Ver o post original 607 mais palavras

Meu nome é Janaina, sem acento

Você já parou pra pensar por que se chama Pedro? Maria? Ou Carolina? Qual a origem do seu nome e o que ele significa? Por que seus pais decidiram chamá-lo dessa maneira?

O nome é nosso cartão de visitas e parece até incorporar muito da nossa personalidade. Os meninos, por exemplo, quando recebem o nome do pai, transformam-se em Júnior. E do avô, em Neto, tipo nome de jogador de futebol, não é mesmo? Meu filho, por exemplo, tem nome composto, de santo e imperador: Marco Antônio. Nomes compostos funcionam muito na hora da bronca. Quando estou muito brava, é: “Marco Antônio, venha já pra cá!!”

No Brasil, de acordo com o último Censo Demográfico, de 2010 (sabe-se lá quando será o próximo), existem cerca de 200 milhões de habitantes com mais de 130 mil nomes diferentes. 

Ou seja, nosso país é um verdadeiro caldeirão repleto de nomes diferentes, devido às várias etnias que influenciaram nossa cultura, entre elas a africana e indígena. Aposto que você tem um amigo, conhecido ou até mesmo parente cujo nome tem origem na língua africana iorubá ou tupi. 

Eu, por exemplo, me chamo Janaina. Jana para os íntimos. Muito prazer!

E assim me chamam porque um belo dia, no final dos anos 70, meu pai escutou esse nome peculiar vindo do apartamento do vizinho e achou diferente. Além disso, uma das primeiras “janainas” famosas foi a filha de uma atriz de sucesso na época, a Leila Diniz (como diz a recente música do Caetano).

Minha mãe queria Juliana (que tá na música do Gil), mas, quando nasci, ela foi voto vencido. E Janaina veio ao mundo, em Salvador, Bahia, a primeira capital do Brasil, pertinho de Porto Seguro, por onde os portugueses “chegaram” (ou invadiram) o Brasil. Terra onde desembarcaram milhões de negros escravos.

Pra entender de onde surgiu meu nome, precisamos lembrar a história dos africanos e dos indígenas, dois povos que sofreram com a escravidão durante o período colonial. Primeiro, vamos falar dos iorubás. A maioria dos escravos que vieram para o Brasil era de origem iorubá. 

Antes de os portugueses chegarem à África, há milhaaaares de anos, os reinos iorubás eram constituídos por diversos povos e sociedades que habitavam as regiões sul, sudeste e sudoeste dos rios Níger Benué.

Historiadores dizem que, nessa área, viviam os povos de línguas edo, idoma, iorubano, ibo, ijó, igala, nupe, entre outros de origem linguística níger-congo. 

O povo iorubá, portanto, é formado por grupos que têm como ancestral comum Odudua, fundador de Ifé, considerada o núcleo inicial das demais cidades desse povo. Os iorubás surgiram na África ocidental, entre o sudoeste da atual Nigéria e Benim, que era uma espécie de miniestado subordinados a Ifé e foi fundado pelos povos edos. Era organizado por um chefe (ovie/ogie), representante da unidade de várias comunidades administrativas, pelas linhagens e pelos grupos de anciãos. Os mais velhos tinham o poder de legislar sobre as terras e os costumes das aldeias agrícolas, além de orientar o trabalho de alguns grupos. 

Os problemas e disputas na comunidade eram resolvidos nos santuários criados em homenagem aos ancestrais. As funções administrativas e políticas eram divididas de acordo com a hierarquia de geração. Os adultos cuidavam da proteção e das atividades principais, enquanto os mais novos eram encarregados de pagar os tributos ao obá (rei).

Em termos econômicos, os reinos iorubás não eram grandes produtores agrícolas, pois as terras não eram muito férteis. Apesar disso, cultivavam inhame, melão, feijão, pimentas-de-rabo, anileiras e algodão. Como eram entreposto de mercadores, o que mantinha o povo era o comércio. Eles se expandiram em direção às rotas comerciais com o intuito de controlar as atividades mercantis e dominar outros pontos, como Aboh, Onistsha e Eko.

Se analisarmos a história dos povos africanos, vamos perceber que a escravidão já existia por lá. Lembram do Egito? País da Cleópatra (que se casou com Marco Antônio… olha lá, nome do meu filho).

Pois bem, a escravidão remonta à Antiguidade na África e pode ser dividida em três tipos:

Na doméstica, os escravos eram aqueles que cometiam crimes, ou que eram “vendidos” pela família por questão de sobrevivência. A expansão do islamismo também fez muitos daqueles que não se convertiam na religião em escravos. Já no terceiro tipo entram em cena os europeus, mais precisamente nossos colonizadores, os portugueses. Estamos no século XV, época da expansão marítima comercial, quando 11 milhões de africanos viajaram para a América, nos chamados navios negreiros, na condição de escravos. Mais de 5 milhões vieram parar no Brasil. É um absurdo de gente, não acham?

Indígenas e o arrastão

Outro povo que sofreu nas mãos dos portugueses foram os índios. Na verdade, os indígenas (que é o termo mais adequado e menos pejorativo), foram os primeiros a serem escravizados depois que o Brasil foi “invadido” pelos portugueses, em 1500. Só no século XVI, os africanos vieram para cá. 

E onde os portugueses desembarcaram? Em Porto Seguro. Seguro pra quem?

Portanto, muita gente quando me conhece deve pensar que eu me chamo Janaina porque nasci na Bahia. Afinal, existem muuuuuitas músicas com o meu nome, como “Arrastão” na voz de Elis Regina.

Existem algumas teorias em relação à origem do nome Janaina. Alguns pesquisadores acreditam que surgiu do sincretismo de crenças e lendas africanas e indígenas. Fato é que Janaina é um dos nomes de Iemanjá, um dos orixás que simboliza a divindade do mar conforme a tradição dos cultos afro-brasileiros. 

O dicionário dos nomes vai nos dizer o seguinte: Iemanjá se originou a partir do idioma iorubá: Yemoja, uma contração de Yeye mo oja, que significa “mãe dos peixes”. Mas há lendas que contam que Janaina era uma bela moça que teria nascido na tribo dos Goitacás, região sul do atual estado do Espírito Santo. Além de “deusa do mar” e “rainha dos peixes”, Janaina também seria a protetora das donas de casa, sendo chamada de “rainha do lar”!

Outra hipótese: a de que o nome seria uma adaptação do nome português “Jana”, que em Portugal e em algumas partes da Espanha, é uma espécie de ser mágico, fada do rio ou sereia. 

Segundo o Censo, existem 210 mil Janainas no Brasil. Muitas delas aqui no Sul. E o Estado com maior número de homônimas é Pernambuco. Que curioso! O ápice das Janainas ocorreu mesmo nos anos 80.

O único porém do meu nome é quando eu encontro algum estrangeiro. Os gringos, principalmente nativos da língua inglesa, definitivamente não conseguem pronunciar o “í” tônico, mas isso é o de menos. O que importa é a gente ser feliz com o nome que carregamos!

E existem muitos nomes de origem africana: Tainá, Cauã, Iara, Cauê, Kauane, Caíque. Eu tinha uma amiga que se chamava Tainá (que tem origem tupi-guarani e significa “estrela“), que, olha só, virou nome de filme. 

Pois bem, a contribuição dos africanos e indígenas para cultura brasileira é indiscutível, mesmo porque esses dois povos formam a base da nossa história: 54% da população do nosso país é formada por negros, segundo o último Censo do IBGE. Ainda sim, convivemos com o preconceito.

E os nomes são justamente um reflexo disso. Apesar de conhecermos vários nomes próprios de origem iorubá e tupi, por exemplo, a maioria dos nomes “brasileiros” são europeus. 

Alguém saberia me dizer qual é o nome mais comum entre as mulheres?

Quem disse Maria, acertou!!!

E homem??? Será José ou João??

Enfim, não temos nenhum nome indígena ou africano no top dez. A maioria é de nomes de origem hebraica, de personagens bíblicos e santos católicos, um forte resquício da colonização. Somos uma nação de Marias, de Paulos, Pedros, Franciscos e… Antônios. Pimba, eu mesma entrei na estatística ao batizar meu filho com nome de santo. Santo imperador Totônio.

Cruella

Mondo Bacana

Live actioninspirado na clássica animação101 Dálmatasconta a trajetória da vilã com embates fashionistas eestética punk rock

Texto por Janaina Monteiro

Foto: Disney/Divulgação

Duas Emmas travam um embate fashionista retrô com fundo de vingança e estética punk rock na mais nova versão da vilã Cruella (EUA, 2021 – Disney). Ao contrário do que possa parecer, não há plumas no filme adaptado do clássico 101 Dálmatas, escrito pela britânica Dodie Smith em 1961, exibido nos cinemas abertos mundo pandêmico afora e agora chega à plataforma de streaming Disney+. 

O tecido que envolve a silhueta da trama mescla poliéster e algodão. É sustentável e as peles são sintéticas. Pode-se dizer que Craig Gillespie acertou a mão com sua câmera ágil para costurar a origem de Cruella. A protagonista surge como a garotinha Estella (Tipper Seifert-Cleveland), dona de uma personalidade fragmentada – rebelde e genial – refletida no tom…

Ver o post original 698 mais palavras

Framing Britney Spears

Mondo Bacana

Documentário sobre a ascensão e queda dapopstarchoca por mostrar o tratamento impiedoso dado pela mídia sensacionalista a ela

Texto por Janaina Monteiro

Foto: Globoplay/Divulgação

Num passado não muito distante, artistas eram perseguidos por fotógrafosstalkers.Paparazzide revistas de fofoca e tabloides internacionais ganhavam a vida com uma conduta nada ética, fomentando com cifras milionárias o jornalismo de celebridades que não poupava artistas nem princesas, vide o acidente que matou Lady Di e a derrocada da cantora Britney Spears.

Este, porém, não é o cerne do documentárioFraming Britney Spears: A Vida de Uma Estrela(Framing Britney Spears, EUA, 2021 – Globoplay), produzido pelo New York Times, que traz cronologicamente a ascensão e a queda dapopstar. A cobertura vai do início em que ela surgiu como uma adolescentea laLolita, doce, de voz afinada e cantando para um público-alvo adolescente, que basicamente…

Ver o post original 536 mais palavras

Billie Joe Armstrong

Mondo Bacana

Vocalista do Green Day aproveita o isolamento da quarentena para gravar sozinho em casa um álbum recheado de clássicos pop das décadas passadas

Texto por Janaina Monteiro

Foto: Divulgação

É preciso ter muita atitudepunkpra regravar clássicos de décadas passadas, principalmente dos frutíferos anos 1980, que nos brindaram com uma enxurrada de canções pop deliciosas e um tanto cafonas. Em meio à quarentena, a Plebe Rude ressurgiu com uma versão corajosa de “P da Vida”, sucesso daboy bandDominó. A canção original é do italiano Lucio Dalla, que foi traduzida para o português pelo músico Edgar Poças, pai da cantora Céu. A cover tupiniquim se transformou em música de protesto e, tirando alguns versos (“We are the world lá nas paradas”, por exemplo), continua atualíssima. Os jogos de dados ainda seguem combinados e o povo anda muito p*** da cara. Só que “P da vida” também ficaram alguns…

Ver o post original 393 mais palavras

Meu peito esquerdo

Quando passei a questionar o sentido da minha vida – mesmo que esse sentido estivesse dormindo no quarto ao lado – as luzes começaram a piscar como se quisessem alertar: hey, tem algo errado aí!

Esses sinais, acredite ou não, foram o caminho para a descoberta do propósito de minha existência: permanecer viva. As piscadelas conduziram a mão até o lugar onde habitava aquilo que me comia por dentro.

Espera aí. Eu tô sentido direito? 

Fui apalpando e encontrando, e apalpando e encontrando e… por mais que procurassem me tranquilizar, me acalmar, dizendo “já passei por isso”, eu tinha plena convicção da natureza epistemológica daquele tumor invasor. Assim como sempre soube que meu filho seria do sexo masculino. Conheço meu corpo. 

No primeiro dia, a culpa veio me assombrar. Culpei a fritura. Culpei ter fritado meu cérebro. No segundo dia, a raiva. E todo dia o medo constante de morrer. Por que eu? Ora, bolas… por que minha mãe também? Por que a prima de uma amiga que é mãe de trigêmeos? Por que as mães de outras amigas? Por que 60 mil mulheres por ano no Brasil em 2020? Mamma mia!

Aprendi na marra que me vitimizar é feio. Aprendi na marra que o sentido da vida é continuar viva para poder abraçar meu filho o dobro de vezes, já que a pandemia ainda me impede de abraçar o mundo inteiro.

No fim, me senti abraçada por todos os gestos carinhosos de pessoas queridas da família, amigos ou até mesmo estranhos que se preocupam mais contigo do que seu vizinho de porta.

Pensei que demoraria dias pra me encarar no espelho. Agora entendo as vantagens de ter seio pequeno. Esse peito esquerdo de bico invertido que jorrava leite e foi mordido pela cria. Assim é bem mais fácil enfrentar a trombada que levei. Que me mutilou. O importante é que o recheio pode ser substituído. Graças à técnica, à tecnologia. Graças a quem veste branco.

O mesmo bico invertido está lá. A diferença é que eu não sinto nada. Socorro!

Espera… isso não é nada. E ao mesmo tempo tudo. Esse recheio também invasor que parece uma armadura, uma concha de feijão, expande a pele, eleva a mente e revela a verdade sobre a minha natureza. Em breve, estarei pronta para peitar todo mundo!

O invasor

Alice Júnior

Mondo Bacana

Longa-metragem curitibano acerta em cheio ao tratar sobre tolerância e diversidade sexual para o público-alvo de jovens e adolescentes

Texto por Janaina Monteiro

Foto: Divulgação

É lamentável que em pleno 2020 os termos sexismo, discriminação de gênero e transfobia ainda estejam tão em voga, mesmo depois da aparição de Roberta Close e Rogéria décadas atrás nos principais veículos de imprensa nacionais. Se por um lado o salto evolucionário tecnológico alcança Marte, o ranço conservador persiste no núcleo de muitas famílias e governos. Por isso um filme como Alice Júnior (Brasil, 2020) – que estreou em cinemas drive-in e agora chega à Neftlix, depois de também ficar disponível no YouTube e em outros serviços de VOD e streaming – é tão necessário. Ele abre a mente dos caretas e afaga o coração dos liberais, dando aquele gostinho de quero mais.

A premiada produção que brotou da “República de Curitiba” é dirigida…

Ver o post original 692 mais palavras

Abe

Mondo Bacana

Longa com diretor brasileiro e ator vindo de Stranger Things mostra o poder de unir culturas e apaziguar conflitos por meio da gastronomia

Texto por Janaina Monteiro

Foto: Downtown/Divulgação

Família é tudo igual, só muda de endereço, de país, de religião. Quantas ceias de Natal ou festas de aniversário já não terminaram em desavença regada a lágrimas desour cream?Uma bela refeição temperada por temas como política e religião só podem se transformar numa terrível indigestão.Por isso,Abe(EUA/Brasil, 2019 – Downtown), longa dirigido por Fernando Grostein de Andrade (também conhecido como o irmão postiço de Luciano Huck e produtor do documentárioCoração Vagabundo,sobre Caetano Veloso,e da sérieQuebrando o Tabu), usa o fascínio de um garoto de 12 anos pela culinária como gatilho para discutir antissemitismo, preconceito, tolerância e educação dos filhos enquanto enaltece o poder gastronômico de unir culturas e apaziguar conflitos.

O longa foi…

Ver o post original 662 mais palavras

Fernanda Takai

Mondo Bacana

Novo disco solo registra a clausura pandêmica com muitas memórias afetivas, críticas à ignorância e belas parcerias multinacionais

Texto por Janaina Monteiro

Foto: Dudi Polonis/DeckDisc/Divulgação

Quando muitos procuram legitimar seu discurso contra a injustiça aos berros, exaltando a raiva, eis que surge o caminho inverso: o da voz doce e terna de Fernanda Takai. EmSerá Que Você Vai Acreditar?(DeckDisc) a mineira vocalista do Pato Fu, mulher do produtor e guitarrista John Ulhôa, mãe da adolescente Nina, dá seu recado sutilmente, tecendo críticas à ignorância num trabalho baseado em memórias afetivas. Takai se veste de nostalgia para registrar este ano inesquecível, que nos obriga a esconder os rostos para salvar vidas.

Como todo artista que sente na pele as mudanças mais que pobres mortais mundanos, assim que a pandemia se instaurou Fernanda e John se isolaram no estúdio montado em casa para se concentrar no álbum que já vinha…

Ver o post original 518 mais palavras

Chadwick Boseman

Mondo Bacana

Oito filmes da breve porém marcante carreira do ator que interpretou no cinema o cantor James Brown e o super-herói Pantera Negra

Texto por Janaina Monteiro

Foto: Getty Images/Jeff Kravitz/Reprodução (Oscar 2019), Disney/Divulgação (Pantera Negra) e Universal Pictures/Divulgação (Get On Up: A História de James Brown)

Se existe um ator que conseguiu transcender suas personagens, o nome dele é Chadwick Boseman. Um super-herói real, de carne e osso, que não esmoreceu diante de uma notícia devastadora que lhe custaria a vida e lutou até o fim contra seu arqui-inimigo mais poderoso: o câncer no cólon diagnosticado em 2016. Nem mesmo o Pantera Negra dos filmes da Marvel poderia derrotar um tumor potencialmente maligno, de estágio 3. Se pouco dava para ser feito no combate à doença, Boseman não se deixou abater pelo sofrimento e evocou o poder sobrenatural de todos os guerreiros interpretados por ele ao longo da carreira para…

Ver o post original 781 mais palavras