“João e Maria” me faz chorar

Assisti a dois shows de Chico Buarque no Teatro Guaíra. Mas lembro que ele veio se apresentar em Curitiba três vezes desde que eu entrei na faculdade. A primeira, se não me engano, foi em 1999. Eu tinha 19 anos, fazia Jornalismo na PUCPR. Não trabalhava, pai pagava a faculdade e o ingresso era muito caro na época, assim como ainda é para a maioria da população.

Naquele tempo, eu tinha uma verdadeira obsessão em conhecer meus ídolos. E lá fui eu atrás do Chico, assim como fiz com Caetano, Gil, Rita e boa parte dos tropicalistas. Arrastei minha mãe junto porque ela teria um papel fundamental nessa empreitada. Veja bem, há 20 anos, aparelhos de celular eram coisas praticamente inexistentes entre nós. Para tirar uma foto, usávamos a boa e velha máquina fotográfica. E, depois, íamos até a ótica revelar o filme. Se a foto ficasse boa, ok. Se não, já era.

A maioria dos artistas que se apresentavam no teatro ficavam hospedados num hotel cinco estrelas na frente da biblioteca. Resolvi arriscar. Precisava ver de perto aqueles olhos azuis e talvez ouvir a voz de quem compusera boa parte das canções mais representativas do país, filho do intelectual que escreveu sobre as raízes do Brasil.

Não me lembro quanto tempo fiquei plantada na frente da porta do hotel. O mensageiro disse que Chico havia ido passear na Rua XV. Assim, no meio do povão. Eu insisti e, algum tempo depois, ele virou a esquina sozinho. Perguntei se ele podia sair na foto comigo e pronto. Consegui. Sem abrir a boca, ele entrou no hotel.

 

No segundo show, em 2007, fiz questão de ir. Só que tinha um porém. Há dez anos, não era comum comprar ingressos pela internet. Era preciso ir até a bilheteria do teatro. Nesse caso, novamente o Guaíra (já que não tínhamos e ainda não temos muita opção de espaços para show na capital paranaense) e seus cerca de 2 mil lugares na plateia e dois balcões. Imagine, então, o tamanho da fila que se formou do lado de fora. Era tanta, mas tanta gente que a multidão virou notícia.

Provavelmente eu estava de folga do trabalho, ou era algum feriado, porque lembro de ter ficado – eu e minha mãe – praticamente o dia inteiro até conseguir comprar três assentos bem no fundo do teatro. Que loucura, certo? Louco mesmo foi quem chegou de madrugada e comprou lá na frente!!!

Pois bem, sei que no dia do show, briguei feio com a minha mãe, tadinha, e terminei indo com meu pai. Pra ser sincera, não gostei da apresentação. Foi como se estivesse ouvindo o disco. E ainda com as canções de que eu menos gostava. Fiquei ainda mais deprimida. Chico parecia uma estátua cantando lá na frente. Com aquela sua voz sofriiiiida. Acho que nem piscava. Bem, não dava pra saber. Estava lá no fundo do teatro. Só sei que quando ele cantou João e Maria eu chorei.

 

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