Mandar WhatsApp pra minha mãe era automático. Era tipo respirar.
Até quando bati o carro, eu avisei de supetão. Ela só tinha perguntado “tá tudo bem?”, e eu já soltei: “bati o carro”.
Queria ter te poupado de tanta informação desnecessária… de tanta coisa que não te fez bem.
Mas essa era a nossa relação. De mãe e filha.
Transparente, sem freio (às vezes literalmente), cheia de amor e susto.
Hoje, quase mandei mensagem de novo.
Fui contar do filme novo, do sofá que precisa ser higienizado, de uma notícia besta que ia te fazer rir.
Cliquei no seu nome e pensei:
“A foto do Totônio continua lá no seu perfil…”
A melhor avó do mundo.
Você virou uma daquelas conversas que a gente não tem coragem de apagar.
Tem dias em que eu esqueço. Esqueço que você se foi. Aí te escrevo mentalmente, como sempre fiz. E na minha cabeça você ainda responde.
Ainda pergunta:
“Quer que eu vá aí na sua casa pra te ajudar?”
Você sempre quis resolver tudo com presença. E agora o que sobra é essa ausência que pesa.
Mas é engraçado como você ainda tá aqui.
No tom de voz que eu ouço na cabeça.
No “não esquece de avisar o Lima!” (o motorista da van)
No “manda beijo pro Marco”.
Não sei se dá pra superar.
Mas acho que dá pra continuar.
Te mandando WhatsApp.
Mesmo que você não visualize mais.
(PS: Se aí tiver internet, ignora o áudio de 8 minutos reclamando da vida. Ouve só a parte em que eu digo que te amo.)
