Eu vivo sempre no mundo da lua

Ah…a Lua. Esse satélite natural que atrai a Terra e olhares apaixonados. Aos cinco anos, fiquei admirada ao constatar que aquele pedaço de rocha preta exposto no museu do Kennedy Space Center fora extraído da superfície lunar. Iluminada pelo Sol, ela se transforma na lanterna que acende minha mente e meu terraço. E subo lá toda vez que me sinto angustiada. Pode ser um clichê olhar para o céu quando bate o desespero. Mas deitar sob o tapete escuro da infinitude do universo, debaixo de estrelas que já são poeira cósmica, me faz sentir a própria poeira. Sim, somos pequenos. E por sermos pequenos, deveríamos ser menos vaidosos.

Há 50 anos, no dia 16 de julho, a Apollo 11 decolava rumo à Lua com seus tripulantes Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin “Buzz” Aldrin. Meu pai tinha 27 anos de idade e minha mãe, 15. Cinquenta anos depois, eu ainda dirijo meu Citroën (e não um carro voador), voltando da casa de meus pais com Totônio dormindo na cadeirinha, no banco de trás. O céu está claro, limpo. Na Nossa Senhora da Luz, levo um susto quando olho para a esquerda.

_ Minha Nossa Senhora!! Hoje tem eclipse!!!

Um eclipse parcial lunar para comemorar o lançamento da missão americana ao satélite.

E hipnotizada, conduzo o C4 a 40 quilômetros por hora. Os demais motoristas me ultrapassam. Eu dobro a primeira rua à direita rumo à minha casa. Subo os quatro lances de escada até meu apê com Totônio no colo. O guri continua dormindo. Vou para a “laje”. E lá está ela. A Lua. Encoberta parcialmente pela sombra do nosso planeta. Nosso lindo balão azul.

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Há 50 anos, no dia 19 de julho, Neil Armstrong pisa na Lua. Meus pais assistiam pela televisão à emocionante cena e ao discurso magnífico do astronauta: “um pequeno passo para o homem. Um grande salto para a humanidade”.

“If you believe they put a man on the Moon”, já cantava REM. Há quem diga que tudo não passou de encenação. Que a Lua era um estúdio de televisão na Califórnia. Pelo simples motivo que foguete nenhum é capaz de ultrapassar o cinturão de Van Halen, zona de alta radiação que envolve a Terra. Um professor me disse, ano passado, que Neil Armstrong em pessoa negou ter pisado na superfície lunar num vídeo circulado pelo YouTube. Mas não conheço ninguém além desse teacher que afirmou ter visto o tal vídeo.

Fake news em 1969. Culpa do cinturão hard rock de Van Halen? De Kennedy que queria vencer os russos na corrida espacial? Mentiram para o mundo? Mas o que seria, então, a tal rocha exposta na Nasa? Ônix? Da Chapada dos Veadeiros?

Fato é que 50 anos depois que o homem supostamente pisou na Lua, nós, pobres terráqueos, discutimos os likes ocultos do Instagram. Uma pequena preocupação para pequenos seres humanos. Pra que pisar na Lua, então, se já vivemos no próprio mundo da Lua com suas teorias da conspiração?

 

Um comentário em “Eu vivo sempre no mundo da lua

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