A primeira desce lenta, convocada pelo piano. Começa como um sussurro líquido, hesitante, mas inevitável.
Há um tremor quase imperceptível no rosto moldado pelo tempo. Uma resposta muda ao toque invisível da melodia.
O silêncio entre as notas se mistura à luz tênue, desenhando sombras sobre sulcos finos.
Rastros de um passado impresso na pele , a partitura secreta dos anos. Infinitas memórias ecoam no compasso de cada gota que desliza. No instante em que toca o ácido, a sinfonia e a química duelam.
Noturna.
O sal se dissolve na promessa de juventude, mas, ao invés de frescor, vem o fogo.
Primeiro como um aviso, depois como um castigo.
O ardor corta a melancolia, mas não silencia o que pulsa dentro dela.
A melodia, ainda suspensa no ar, parece se fundir à queima. Um embate entre a arte e a vaidade, entre a emoção e a ciência.
Ela fecha os olhos, deixando a dor se misturar ao som, ao piano que ressoa dentro dela como ecos de um tempo que já foi. Ainda assim, outra lágrima nasce. E outra. Nenhuma hesita.
Cada uma carrega o peso das notas que caminham no ar. Cada uma desafia o ácido que tenta apagá-las.
Mas nada pode conter a música que a faz sentir. Mesmo que sentir signifique arder.