Quando ouço a gurizada com esse “diva pra lá, diva pra cá”, fico pensando no real significado disso. Minha mãe nunca divou. Eu também não.
Nunca quis chamar atenção, ser poderosa. Meu negócio sempre foi o backstage. Maquiagem passa longe por aqui. Desde os 30 e poucos anos que não gasto tempo e $ com isso.
A natureza (que não chega a ser selvagem, mas é espontânea) tomou conta do meu gramado. Nunca fiz botox. Já a turma dos 30 vive superpreocupada com as marcas de expressão.
Meu triângulo da tristeza está aqui, explícito, desenhado no rosto. Fazer o quê? C’est la vie, como diria qualquer francês da boulangerie.
Por isso, me incomoda esse divar com tanta frequência.
Não quero ser diva. Quero ser eu.
Poder usar minha rasteirinha e arrastar, junto com ela, as areias toxínicas de perto de mim.
Não quero brilhar sob holofotes que não escolhi. Quero o brilho oleoso da pele que já enfrentou o sol quente do desespero; do olho que mareja com conversa boa; do riso que escapa mesmo nos dias ruins.
Ser eu não exige palco. Exige coragem.
Coragem de sair sem base. De entrar nos lugares com o cabelo do jeito que deu. Com esses fios brancos que começaram a aparecer. De não pedir desculpas por não seguir o roteiro. Porque tem dia que o máximo que consigo é existir.
Divar deve cansar.
Eu quero vida.
E quem quiser gostar de mim, vai ter que ser assim. Como na rima de um pagode.
Se tem uma coisa que aprendi nesse caminho é que as toxinas que mais pesam não são as do corpo. São as do olhar alheio. Da expectativa. Do padrão que empurram como se fosse identidade. Do salto alto.
Quero mesmo é ser quem eu sou, mesmo quando não agrada. Mesmo sendo essa pessoa quebrada, em vários sentidos.
Porque entre divar e viver, eu escolho caminhar. E que minha rasteirinha me leve por trilhas onde ser real vale muito mais.