Tudo bem? O que responder quando não está tudo bem.

A pergunta é simples. “Tudo bem?” é a saudação automática, a formalidade que transita entre amigos, colegas e até estranhos. Mas o que acontece quando a resposta não é fácil, quando não está tudo bem, mas você é obrigada a disfarçar com um “tudo bem, sim”?

A pergunta e sua inevitável resposta se tornam um fardo. E como encarar a pergunta “vai dar tudo certo?”, quando você não sabe nem o que significa “dar tudo certo”?

Não, não está tudo bem. Nem de longe. Minha mãe está numa cama de hospital, com o corpo fragilizado pela luta contra o câncer de pulmão, um inimigo nefasto, invisível, rápido. Cada dia é uma luta, e a esperança se mistura com o medo e a tristeza que se esconde atrás de um sorriso forçado. Como responder a quem diz “melhoras” ou “vai dar tudo certo”? Como abraçar essas palavras quando a realidade se desfaz em pedaços tão cruéis?

A verdade é que, às vezes, a dor é algo que não se pode traduzir, nem mesmo em palavras de conforto. “Vai dar tudo certo”, dizem, como se um simples desejo pudesse inverter a tragédia. E talvez, por um momento, esses votos de boas intenções acalmem o coração de quem os diz. Mas em mim, o que ressoam são as dúvidas, as incertezas e, sim, as angústias de quem vê a luta pela vida se arrastar a cada fio de esperança. A fragilidade humana diante da morte não cabe nas palavras de consolo.

E é aqui que a resposta mora: não há resposta. Não há como responder, como explicar, como justificar uma dor tão grande. Mas talvez, ao invés de responder com palavras, eu possa responder com presença, com a verdade de quem vive esse momento, mesmo que em silêncio. Talvez a resposta mais honesta seja um olhar de compreensão. Um “não sei, mas estou aqui”. A força não vem do “vai dar tudo certo”, mas de saber que a vida é feita de momentos intensos, e cada um deles merece ser vivido, com toda a dor e toda a beleza que ele traz.

E, assim, vou aprendendo a responder. Não com palavras vazias, mas com a consciência de que, no fundo, o que nos salva, o que nos sustenta, é o amor e a presença verdadeira, sem promessas, sem certezas, apenas com o simples ato de estar ali, com aqueles que amamos.

Porque, no final, quando perguntam se está tudo bem, talvez a resposta mais honesta seja, apenas, “não está tudo bem, mas estamos juntos, e isso já é suficiente”.

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