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Talvez eu não sobreviva até o fim da quarentena. E não é por conta do coronavírus, não. Depois de 13 dias de um surreal confinamento, começo a ficar com hematomas das brincadeiras de luta, de super-herói, de levar pontapé quando Totônio me chama pra eu ir dormir juntinho dele na caminha. Minhas pernas são uma… Read more
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Em plena quarentena, uma cachorra está na rua, desolada, na frente de um shopping. O dono tenta lidar com a frustração de seu animal de estimação, ops, sua filha, e explicar o motivo de o lugar estar fechado num dia de semana. Afinal, por que os dois não podem ir às compras ou simplesmente passear lá… Read more
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Hoje o cansaço bateu, mas eu ganhei o dia. Duas vezes. Aos 4 anos, Totônio não é o exemplo de piá bom de garfo. Bem diferente de quando começou a se aventurar pelo mundo dos sólidos. O menino comia de tudo. Era um pequeno glutão. Minha vida era amamentar e cozinhar. Dormir, pra quê? Eu… Read more
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Saí da nave-mãe para levar Totônio até o foguete do papai. Para cumprir nossa missão e chegar até o carro, foi preciso transitar pelos corredores sem janelas do nosso prédio, invadido pelo cheiro de chulé. Agora sei quantas pessoas, seus respectivos sexos e prováveis faixas etárias, ocupam cada apartamento, já que se tornou um hábito… Read more
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Depois da tempestade vem a bonança. Depois da quarentena vêm…os boletos e o desemprego. Sei que devemos manter a positividade numa hora complicada como esta, mas a realidade é preocupante. Se já estava difícil se recolocar no mercado com o cenário menos apocalíptico, imagine depois desta pausa que o vírus nos obrigou a fazer. O… Read more
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Abraço, tempo, emprego, liberdade, família. O confinamento nos permite valorizar gestos, pessoas, coisas banais, corriqueiras, comuns. A dar valor àquilo que somos impedidos de ter e fazer. É como a máxima: “só damos valor quando perdemos”. Neste sexto dia, recebi via WhatsApp um texto do Augusto Cury sobre exatamente o quanto a vida frenética nos… Read more
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_E o carro do sonho?, pensei. Será que ele ainda vai passar? Mas não deu cinco minutos e, como num passe de mágica, surgiu aquela voz familiar dobrando a esquina. O carro do sonho, freguesia, não se rendeu à quarentena. Pois quem vive de sonho precisa sobreviver também. Toda vez que escuta o alto-falante, Totônio… Read more
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Dia 4. Difícil explicar para uma criança de 4 anos por que devemos ficar tanto tempo sem sair de casa. Por que, de repente, parece férias de novo. Mas um recesso sem brincadeiras com os amigos, sem visita aos avós, sem ir ao parquinho da praça ou do clube. O que nos resta é o… Read more
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Tempos de crise deveriam servir de ensinamento para evoluirmos enquanto pessoas, amigos, irmãos, enquanto seres humanos. Essas fases cíclicas pelas quais passamos deveriam provocar em cada um de nós um momento de reflexão. Pararmos um instante de olhar para o nosso umbigo e enxergarmos ao redor a fim de tentar, pelo menos, entender o motivo… Read more
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A mala que guardou os macacões, as mantinhas, o cobertor, as fraldas, as luvinhas e sapatinhos de crochê – e acompanhou toda a espera do nascimento do primeiro e, talvez, único filho – agora vai e volta da segunda casa de Totônio. É um ir e vir com o qual ainda não me acostumei. A… Read more
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Meu super-herói não é mito. É real. De carne e osso. Usa capa, mas só se for de chuva. Voa só de avião. Mas, para mim, ele sempre teve superpoderes. Ele sempre me salvou. Me salvou quando caí de bicicleta pela primeira vez no quintal de casa, onde havia grama verdinha, um pinheirinho, uma garagem… Read more
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Ah…a Lua. Esse satélite natural que atrai a Terra e olhares apaixonados. Aos cinco anos, fiquei admirada ao constatar que aquele pedaço de rocha preta exposto no museu do Kennedy Space Center fora extraído da superfície lunar. Iluminada pelo Sol, ela se transforma na lanterna que acende minha mente e meu terraço. E subo lá… Read more
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A memória visual que tenho de Curitiba é trágica. Quando passo, por exemplo, pela região da Praça 29 de março, sempre me lembro de um andarilho encontrado morto lá, debaixo de uma marquise. Quando paro com o carro no sinal da Tiradentes, lembro aquela moça morta pelo ex-marido (ou namorado?) ao lado do Mercadorama. E… Read more
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Sinto uma enorme satisfação em ter realizado um sonho de infância. Quando eu era criança, não queria ser executiva de multinacional ou presidente da república. Eu simplesmente queria ser jornalista. De jornal impresso mesmo. Uma espécie em extinção. E essa paixão eu devo a meu pai. Sempre cercado de jornais e revistas. E livros. Guardou… Read more
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Preciso entregar um texto sobre o Coldplay desde o ano passado, quando assisti ao documentário a “Head Full of Dreams” sobre os 20 anos de estrada da banda inglesa. Estou adiando devido ao turbilhão de acontecimentos que transformaram minha rotina nos últimos três meses. Mas agora, talvez, eu consiga. E quem sabe começando por aqui. Tenho… Read more
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Eu aprendi com a vida a não criar expectativas. Isso vale em relação a amigos, parentes, desconhecidos, quem quer que seja. Não espere nada de ninguém. É uma das frases que mais me faz sentido hoje em dia. Porque percebo que é a melhor forma de evitar decepções e encarar a vida de forma mais… Read more
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Numa sexta-feira dessas, fui ver um trio tocar Chico Buarque. Era na Sociedade Operária Beneficente 13 de maio, fundada na metade do século XIX. A noite estava quente, perfeita pra sair, mas o lugar estava vazio. Quem dera tivesse um par pra rodopiar pelo salão. Enfim, não importa. Eu só queria cantar “Apesar de Você”… Read more

Lindo texto! Sempre penso sobre isso.