pelo caminho

Crônicas, críticas e desabafos

  • Dez dias se passaram desde que estamos trancafiados em nossa nave-mãe (com direito apenas a um dia de alvará) por conta da pandemia do coronavírus e adivinha…  Tava demorando. Recebi um whats da síndica:  _Estão reclamando de barulho no seu apartamento e de cachorro também, eu até achei estranho, será que é aí mesmo?, perguntou… Read more

  • Saí da nave-mãe para levar Totônio até o foguete do papai. Para cumprir nossa missão e chegar até o carro, foi preciso transitar pelos corredores sem janelas do nosso prédio, invadido pelo cheiro de chulé. Agora sei quantas pessoas, seus respectivos sexos e prováveis faixas etárias, ocupam cada apartamento, já que se tornou um hábito… Read more

  • Depois da tempestade vem a bonança. Depois da quarentena vêm…os boletos e o desemprego. Sei que devemos manter a positividade numa hora complicada como esta, mas a realidade é preocupante. Se já estava difícil se recolocar no mercado com o cenário menos apocalíptico, imagine depois desta pausa que o vírus nos obrigou a fazer. O… Read more

  • Abraço, tempo, emprego, liberdade, família. O confinamento nos permite valorizar  gestos, pessoas, coisas banais, corriqueiras, comuns. A dar valor àquilo que somos impedidos de ter e fazer. É como a máxima: “só damos valor quando perdemos”. Neste sexto dia, recebi via WhatsApp um texto do Augusto Cury sobre exatamente o quanto a vida frenética nos… Read more

  • _E o carro do sonho?, pensei. Será que ele ainda vai passar? Mas não deu cinco minutos e, como num passe de mágica, surgiu aquela voz familiar dobrando a esquina. O carro do sonho, freguesia, não se rendeu à quarentena. Pois quem vive de sonho precisa sobreviver também.  Toda vez que escuta o alto-falante, Totônio… Read more

  • Dia 4. Difícil explicar para uma criança de 4 anos por que devemos ficar tanto tempo sem sair de casa. Por que, de repente, parece férias de novo. Mas um recesso sem brincadeiras com os amigos, sem visita aos avós, sem ir ao parquinho da praça ou do clube.  O que nos resta é o… Read more

  • Tempos de crise deveriam servir de ensinamento para evoluirmos enquanto pessoas, amigos, irmãos, enquanto seres humanos. Essas fases cíclicas pelas quais passamos deveriam provocar em cada um de nós um momento de reflexão. Pararmos um instante de olhar para o nosso umbigo e enxergarmos ao redor a fim de tentar, pelo menos, entender o motivo… Read more

  • A desordenada mala da vida

    A mala que guardou os macacões, as mantinhas, o cobertor, as fraldas, as luvinhas e sapatinhos de crochê – e acompanhou toda a espera do nascimento do primeiro e, talvez, único filho – agora vai e volta da segunda casa de Totônio. É um ir e vir com o qual ainda não me acostumei.  A… Read more

  • Meu super-herói não é mito. É real. De carne e osso. Usa capa, mas só se for de chuva. Voa só de avião. Mas, para mim, ele sempre teve superpoderes. Ele sempre me salvou. Me salvou quando caí de bicicleta pela primeira vez no quintal de casa, onde havia grama verdinha, um pinheirinho, uma garagem… Read more

  • Ah…a Lua. Esse satélite natural que atrai a Terra e olhares apaixonados. Aos cinco anos, fiquei admirada ao constatar que aquele pedaço de rocha preta exposto no museu do Kennedy Space Center fora extraído da superfície lunar. Iluminada pelo Sol, ela se transforma na lanterna que acende minha mente e meu terraço. E subo lá… Read more

  • Quem dera ser para o Totônio metade do que minha mãe foi e continua sendo pra mim. Minha mãe é a dona Silvia, que sempre teve 100% de alcance e 100% de envolvimento nesse nosso relacionamento de quase 40 anos. As métricas dela são admiráveis, mas, é claro, que eu não curtia e compartilhava 100%… Read more

  • A memória visual que tenho de Curitiba é trágica. Quando passo, por exemplo, pela região da Praça 29 de março, sempre me lembro de um andarilho encontrado morto lá, debaixo de uma marquise. Quando paro com o carro no sinal da Tiradentes, lembro aquela moça morta pelo ex-marido (ou namorado?) ao lado do Mercadorama. E… Read more

  • Sinto uma enorme satisfação em ter realizado um sonho de infância. Quando eu era criança, não queria ser executiva de multinacional ou presidente da república. Eu simplesmente queria ser jornalista. De jornal impresso mesmo. Uma espécie em extinção. E essa paixão eu devo a meu pai. Sempre cercado de jornais e revistas. E livros. Guardou… Read more

  • Preciso entregar um texto sobre o Coldplay desde o ano passado, quando assisti ao documentário a “Head Full of Dreams” sobre os 20 anos de estrada da banda inglesa. Estou adiando devido ao turbilhão de acontecimentos que transformaram minha rotina nos últimos três meses. Mas agora, talvez, eu consiga. E quem sabe começando por aqui. Tenho… Read more

  • Eu aprendi com a vida a não criar expectativas. Isso vale em relação a amigos, parentes, desconhecidos, quem quer que seja. Não espere nada de ninguém. É uma das frases que mais me faz sentido hoje em dia. Porque percebo que é a melhor forma de evitar decepções e encarar a vida de forma mais… Read more

  • Chico Buarque para poucos

    Numa sexta-feira dessas, fui ver um trio tocar Chico Buarque. Era na Sociedade Operária Beneficente 13 de maio, fundada na metade do século XIX. A noite estava quente, perfeita pra sair, mas o lugar estava vazio. Quem dera tivesse um par pra rodopiar pelo salão. Enfim, não importa. Eu só queria cantar “Apesar de Você”… Read more

  • Assisti a dois shows de Chico Buarque no Teatro Guaíra. Mas lembro que ele veio se apresentar em Curitiba três vezes desde que eu entrei na faculdade. A primeira, se não me engano, foi em 1999. Eu tinha 19 anos, fazia Jornalismo na PUCPR. Não trabalhava, pai pagava a faculdade e o ingresso era muito… Read more

  • Preciso escrever sobre o Chico antes que detalhes daquele show histórico no Teatro Guaíra se apaguem da minha memória. Conheço Francisco Buarque de Hollanda desde a minha infância. Primeiro, se não me engano, por uma fitinha cassete que meus pais ouviam na Brasília amarela, e depois no Voyage cinza (que os ladrões furtaram para cometer… Read more

  • De carro ou a pé? – perguntei ao Totônio. _ Pelo caminho, por aqui – respondeu o menininho cabeludo. Dois anos ele tem, e agora entra na escola no meio da manhã (pra ver se come melhor, sabe). Estamos atrasados e está prestes a chover. Por mim, colocaria Totônio na cadeirinha do carro e vrummmm.… Read more

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    Confie em você mesma é na sua gigantesca capacidade de transformar esse caroço num asteróide, daqueles que riscam o céu…