Quarentena
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Quando eu era “xĂłvem”, contando 20 primaveras, um dos meus passatempos prediletos era ser rata de sebo de vinil. O meu favorito era o FĂgaro, FĂgaro, FĂĂĂĂĂĂgaro, que (graças a Deus e aos donos) ainda funciona na Lamenha Lins, rodeado de prĂ©dios antigos lindĂssimos. Eu era apaixonada pelas bolachas, fossem elas da cor laranja, rosa,… Read more
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Domingo de Páscoa foi inesquecĂvel. Depois de ganhar ovinho da mamĂŁe, do papai, da vovĂł e do vovĂ´, TotĂ´nio queria mais. NĂŁo chocolate. Mas hambĂşrguer de siri. Tudo culpa do Bob Esponja. Pego o guri na casa do pai e vamos rumo Ă Meca da junk food: o drive-thru do McDonald’s. Lotado, mas suportável. Compro… Read more
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Toda vez que olho para o meu filho, costumo lembrar do dia em que TotĂ´nio nasceu. Ao ver aquele serzinho tĂŁo frágil, pensei: esse menino vai salvar o mundo. Meu companheiro de quarentena está salvando o meu mundo. TotĂ´nio foi concebido em 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, tambĂ©m conhecida como Janaina. Como eu sei?… Read more
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Sexta-feira Santa. Acordo com cheirinho de peixe no ar. Afinal, pela tradição cristĂŁ, nĂŁo se deve comer carne vermelha em ato de compadecimento ao sacrifĂcio de Jesus Cristo. Sexta-feira da PaixĂŁo Ă© dia de reflexĂŁo, meditação, de ficar em silĂŞncio, lembrando a via crucis do filho de Deus, que deu sua carne e sangue pelos… Read more
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O protocolo Ă© usar máscara. O baile continua para aqueles que dançam conforme a mĂşsica e cobrem suas bocas sem dar um pio. Que escondem seus sorrisos por trás de um tecido fino preso por elásticos. Mas o sorriso ainda está lá. Com ou sem dentes. Para outros, a máscara caiu. Os rostos foram desnudados… Read more
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Talvez eu nĂŁo sobreviva atĂ© o fim da quarentena. E nĂŁo Ă© por conta do coronavĂrus, nĂŁo. Depois de 13 dias de um surreal confinamento, começo a ficar com hematomas das brincadeiras de luta, de super-herĂłi, de levar pontapĂ© quando TotĂ´nio me chama pra eu ir dormir juntinho dele na caminha. Minhas pernas sĂŁo uma… Read more
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Em plena quarentena, uma cachorra está na rua, desolada, na frente de um shopping. O dono tenta lidar com a frustração de seu animal de estimação, ops, sua filha, e explicar o motivo de o lugar estar fechado num dia de semana. Afinal, por que os dois nĂŁo podem ir Ă s compras ou simplesmente passear lá… Read more
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Hoje o cansaço bateu, mas eu ganhei o dia. Duas vezes. Aos 4 anos, TotĂ´nio nĂŁo Ă© o exemplo de piá bom de garfo. Bem diferente de quando começou a se aventurar pelo mundo dos sĂłlidos. O menino comia de tudo. Era um pequeno glutĂŁo. Minha vida era amamentar e cozinhar. Dormir, pra quĂŞ? Eu… Read more
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SaĂ da nave-mĂŁe para levar TotĂ´nio atĂ© o foguete do papai. Para cumprir nossa missĂŁo e chegar atĂ© o carro, foi preciso transitar pelos corredores sem janelas do nosso prĂ©dio, invadido pelo cheiro de chulĂ©. Agora sei quantas pessoas, seus respectivos sexos e prováveis faixas etárias, ocupam cada apartamento, já que se tornou um hábito… Read more
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Depois da tempestade vem a bonança. Depois da quarentena vĂŞm…os boletos e o desemprego. Sei que devemos manter a positividade numa hora complicada como esta, mas a realidade Ă© preocupante. Se já estava difĂcil se recolocar no mercado com o cenário menos apocalĂptico, imagine depois desta pausa que o vĂrus nos obrigou a fazer. O… Read more
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Abraço, tempo, emprego, liberdade, famĂlia. O confinamento nos permite valorizar gestos, pessoas, coisas banais, corriqueiras, comuns. A dar valor Ă quilo que somos impedidos de ter e fazer. É como a máxima: “sĂł damos valor quando perdemos”. Neste sexto dia, recebi via WhatsApp um texto do Augusto Cury sobre exatamente o quanto a vida frenĂ©tica nos… Read more
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_E o carro do sonho?, pensei. Será que ele ainda vai passar? Mas nĂŁo deu cinco minutos e, como num passe de mágica, surgiu aquela voz familiar dobrando a esquina. O carro do sonho, freguesia, nĂŁo se rendeu Ă quarentena. Pois quem vive de sonho precisa sobreviver tambĂ©m. Toda vez que escuta o alto-falante, TotĂ´nio… Read more
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Dia 4. DifĂcil explicar para uma criança de 4 anos por que devemos ficar tanto tempo sem sair de casa. Por que, de repente, parece fĂ©rias de novo. Mas um recesso sem brincadeiras com os amigos, sem visita aos avĂłs, sem ir ao parquinho da praça ou do clube. O que nos resta Ă© o… Read more
